Depoimentos

“Nunca é tarde para corrermos atrás dos nossos sonhos”

"Eu me vejo formada, ajudando as pessoas, tendo a minha clínica, ganhando meu próprio dinheiro, ajudando mais a minha família. Eu gosto muito de ajudar as pessoas, sabe?"

Tamiris Ribeiro Batista, 26 anos.

“Eu não pensava muito em estudos, em fazer faculdade”, conta Tamiris Ribeiro Batista, de 26 anos. Desde abril ela é uma das alunas do curso pré-vestibular Pró-Federal, em Alfenas, Minas Gerais. O que a fez mudar? Trabalhando como secretária em uma clínica odontológica desde 2018, ela percebeu que gostava de lidar com o público e queria mais. “Quando eu entrei, não sabia muita coisa e com o tempo fui vendo que entendia de muitos assuntos, fui me aprofundando e a minha patroa até dizia em tom de brincadeira que eu gosto de falar de tudo porque eu gosto de aprender, de pesquisar, de ler. Percebi que tinha potencial e estava me contentando com pouco de só trabalhar ali”, reflete.

Foi assim que, no ano passado, Tamiris decidiu que iria para a faculdade. No entanto, ela sabia muito bem que, para quem terminou o ensino médio em 2013, o caminho não seria tão simples. Ela nunca tinha feito o Enem, não conhecia a prova e estava há anos longe da rotina de estudos. Por acreditar que não daria conta de estudar sozinha, procurou um curso preparatório, mas se deparou com o obstáculo dos custos, que não cabiam no seu orçamento. “Foi pesquisando no site do cursinho que eu vi que tinha esse programa, a lia”, relata. Com acesso ao pagamento estendido, a jovem decidiu se matricular: fechou o curso on-line parcelado em 24 vezes.

Ampliar horizontes e ajudar pessoas

Tamiris mostra ter total consciência dos caminhos que um curso superior pode abrir. “Na clínica, a questão de ajudar as pessoas fica um pouco limitada porque sou empregada e preciso cumprir meu papel, não posso ir muito além. Por outro lado, ao me formar como fisioterapeuta, vou poder ajudar as pessoas”, planeja.

A escolha pela fisioterapia não foi tão fácil porque a própria Tamiris reconhece sua dificuldade em fazer escolhas. Por conta do contato diário com pacientes, ela mostrava interesse pela área da saúde, mas isso não é tudo. “Sempre tem aquela coisa de quando tem alguém na família que precisa, como a minha avó, minha mãe e eu vejo que posso ser útil para elas”, revela.

Uma das muitas possibilidades que estudar traz é a de produzir um efeito dominó positivo e se tornar um incentivador para aqueles à sua volta. Foi exatamente o que aconteceu na casa de Tamiris. Casada desde os 21 anos, ela despertou no marido a vontade de voltar a estudar. “É assim, um apoia o outro porque eu incentivo ele e ele me incentiva. Ele atualmente trabalha como barbeiro, mas ama história e quer fazer algo ligado a isso”, diz orgulhosa. 

Trabalhadora que estuda e estudante que trabalha

Como Tamiris cursa o preparatório na modalidade on-line, ela se esforça para conseguir encaixar os estudos na rotina de trabalhadora. Na clínica das 7h às 17h, volta para casa e já engata nas aulas das 18h45 às 22h45. “Na primeira semana eu quase me descabelei, eu achei bem difícil. Agora eu estou começando a me acostumar. Quando consigo resolver um exercício, fico muito feliz, me sinto muito realizada”, conta animada. 

Claro que se habituar à nova rotina leva tempo. Quando conversamos, Tamiris tentava conciliar trabalho e estudos e ainda não tinha conseguido estudar sozinha, uma de suas estratégias preferidas para aprender. “Às vezes eu aprendo até mais sozinha do que em uma sala de aula, depois relembrando o que o professor falou, é onde eu consigo guardar os conteúdos”. 

Primeira bacharela da família

Dizem que o primeiro passo para a realização de um sonho é conseguir se visualizar vivendo essa realidade.  “Eu me vejo formada, ajudando as pessoas, tendo a minha clínica, ganhando meu próprio dinheiro, ajudando mais a minha família. Eu gosto muito de ajudar as pessoas, sabe? Às vezes eu até deixo de me ajudar para poder ajudar os outros. É uma coisa que eu preciso melhorar, mas assim, ao mesmo tempo é uma coisa boa, porque é meu, não tem como tirar isso né?”, conta.

O que também não tem como tirar será o título de ser a primeira, em uma família de cinco irmãos (três mulheres e dois homens), a ingressar nos estudos superiores. “Eu acho que se eu me formar”, ela hesita e se corrige “se não, eu vou me formar, eu vou ser a única da família. Vou ser a primeira”, diz convicta. Assim como Tamiris, outros estudantes encontram na lia a possibilidade de viabilizar seus estudos. Como ela mesma diz, “nunca é tarde para corrermos atrás dos nossos sonhos”. Leia mais depoimentos e se emocione com a gente.