Educação

Lia: Uma jornada ganha-ganha por mais acesso à educação de qualidade!

Pedro Guerra,co-fundador da lia, conta a história por trás da empresa que tem como missão tornar a educação de qualidade acessível e ajudar escolas particulares a crescerem

 

Para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a educação é importante por três motivos: “Primeiro, porque é um direito de todos. Segundo, porque a educação potencializa a liberdade individual. Terceiro, porque a educação gera grandes benefícios em termos de desenvolvimento”.

Um dos grandes pilares da sociedade, a educação também é fonte de enormes problemas e decidir encará-los é um desafio e tanto. Esse foi o ponto de partida para a criação da lia, uma ideia construída por Pedro Guerra e Lucas Souza, dois amigos, com trajetórias de sucesso no mundo corporativo. O encontro dos sócios aconteceu há alguns anos, longe daqui, em Nova York, durante o Master of Business Administration (MBA) na Columbia Business School. Já a lia,que tem sido gestada há algum tempo, nasceu mesmo no fim do ano passado.

Confira a entrevista com um dos fundadores da lia, Pedro Guerra, em que ele fala sobre o nascimento do negócio, as dores do setor da educação, os desafios de empreender e um balanço dos primeiros meses dessa trajetória. 

 

Como a vivência particular influenciou na criação do negócio?


Eu estudei na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), uma faculdade pública, proporcionada, de certa maneira, pelo ensino privado. Durante o ensino básico, eu não tive inglês na escola, mas fora dela, porque meus pais acreditavam muito no inglês. Outro pilar marcante na minha formação foi a possibilidade de conviver com pessoas, principalmente familiares, que me ajudaram a pensar no meu projeto de vida e que me fizeram olhar para as possibilidades que existiam no mundo, para além da cidade pequena em que eu nasci, Porecatu, no Paraná. 

Claro que eu só consigo enxergar tudo isso olhando para trás, depois de ter trabalhado quatro anos com o setor de educação. Foi aí que eu percebi como ele funcionava e entendi que era um jogo em que as pessoas não partem de lugares parecidos: há os que têm privilégios, eu acredito que eu fui um deles, e há os que começam a vida de um modo muito mais difícil. Óbvio que eu sabia disso em algum grau, mas uma vez que a gente começa a trabalhar de fato no ramo, aquilo se torna muito mais palpável, mais concreto e os problemas são mais presentes. 

 

Por que a aposta na educação?

No Brasil, mais de 80% dos alunos estão no ensino público, o que significa, na maioria dos casos, que a pessoa parte de uma situação mais difícil e, por isso, vai ter que colocar mais esforço ou dar mais sorte para ter sucesso. Além disso, mesmo no setor privado existem escolas de diferentes categorias, muitas delas excepcionais. 

A partir desse contexto, também ficou muito claro que as escolas são fundadas e geridas por pessoas apaixonadas pela educação, que se dedicam essencialmente para o projeto pedagógico, mas acabam destinando menos tempo para o negócio, o crescimento, as finanças, os custos. Eu acredito que o acesso à educação de qualidade é dar pontos de partida e oportunidades semelhantes às pessoas, e isso começa com acesso a boas escolas.

 

Como nasceu a lia?

Eu acredito não só na importância do problema, mas também no tamanho do problema, pois quase ¼ da população brasileira são alunos de até 18 anos. Além disso, eu estava convicto de que esse era um momento incrível no mundo para empreender, pois há vários recursos de tecnologia e bastante capital disponível no mundo precisando de bons usos e educação é um negócio que tem um retorno enorme. E para fazer sentido, a jornada precisava ser ganha-ganha para todos os envolvidos, ou seja, construir soluções que fossem boas para as escolas, para as famílias e sustentável para a lia.

Eu também tinha uma crença muito forte de que conseguiria formar um time muito bom, talentoso, com gente que tem brilho no olho para o problema, que acredita na solução, mas se preocupa com a jornada, que é movida pelo propósito, mas que tem o pé no chão e pensa em resultado, gente que é ambiciosa, mas que é agradável de trabalhar no dia a dia, é humilde, tem capacidade de aprender e orientação a pessoas.

Eu via muita gente abrindo mão de carreiras corporativas tradicionais para abraçar problemas diferentes em empresas menores, no começo do ciclo, com um futuro pela frente, sem amarras do passado no jeito de fazer as coisas, crenças arraigadas, sistemas antigos. Queria começar algo do zero, sem o peso do passado e com toda a oportunidade do futuro.

 

Por que empreender?

Eu já penso no empreendedorismo há muito tempo, sempre admirei pessoas que chamam a responsabilidade para si, que arriscam dar certo, dar errado, aprender, passar vergonha, ter sucesso, fazer algo legal. Acredito que de alguma maneira essa coragem é recompensada, não necessariamente financeiramente, mas com satisfação, prazer, orgulho, aprendizado. 

Essa sempre foi uma constante na minha vida, porém eu achava que não estava pronto, então tive um longo ciclo corporativo, de quase uma década na Bain & Company, quase quatro anos na Arco Educação. Acreditava que era preciso aprender, conhecer pessoas e setores, construir uma reputação. No final de 2021, depois de muita reflexão, seguro de que meu ciclo tinha sido concluído e o problema valia a pena ser olhado, eu tomei muito rapidamente a decisão.

 

Como nasce a parceria Pedro e Lucas?

Empreender é difícil e é uma tarefa muito grande para uma pessoa só, se há mais gente pensando em um problema, isso leva a soluções melhores. Eu e Lucas somos complementares porque ele tem uma cabeça diferente da minha, um olhar muito apurado para time, cultura e um histórico profissional que faz com que ele tenha conhecido profissionais diferentes, o que possibilita a criação de um time mais plural, mais diverso. Ao mesmo tempo achava não só que a chance de sermos bem-sucedidos seria maior, mas a jornada seria muito mais legal se eu estivesse com ele, uma pessoa em quem eu confio e que admiro.

Empreender é também um ato de desprendimento porque é preciso abrir mão de tudo que foi construído até aquele momento e dar um passo no vazio. O Lucas tinha construído uma carreira parecida com a minha e estava no mesmo momento, tinha chegado no final de um ciclo, com vontade de empreender e sentia-se no direito de dar esse passo. Quando eu criei a convicção de que eu iria sair de onde estava e começar algo, sentei com ele um final de semana e na semana seguinte nós já começamos a fazer a transição nas nossas empresas.

 

Quais são os grandes desafios ao empreender?

Continuo cada vez mais acreditando que empreendedorismo é um ato de resiliência e persistência, porque todos os empreendedores, e nisso se enquadram os diretores de escola, estão fazendo algo novo, que não existe e, portanto, ninguém sabe se vai dar certo ou não. Há dias incríveis e outros que são pesados, mas quando eu penso no que estamos tentando fazer, minha cabeça sempre volta para um lugar bom, que é como fazer mais alunos conseguirem acessar as melhores escolas particulares. E fazer com que a lia seja um lugar incrível para trabalhar, para que os maiores talentos do nosso país queiram fazer parte do que estamos construindo e se sintam realizados. Essas duas coisas me energizam, apesar das dificuldades diárias que existem em qualquer negócio. De modo geral, é muito bom estar construindo a lia, mesmo que o dia a dia seja duro.

 

Como está a lia hoje?

Essas experiências recentes com nossos parceiros, escolas e famílias, têm demonstrado cada vez mais a importância de pensar em soluções que resolvam a dor por inteiro. Se a dor do mantenedor for crescimento, como a gente resolve essa dor? Se ele quer focar na parte pedagógica da sua escola, na marca, no relacionamento com professores, alunos, famílias, como podemos desonerá-lo para que ele foque naquilo que é a sua essência?

A missão de colocar mais alunos nas escolas continua a mesma, mas entendemos que podemos chamar ainda mais responsabilidade. Começamos com um serviço de pagamento estendido, em que as famílias podem pagar pelo ensino básico em mais tempo, o que até hoje não existe no mercado, mas isso é um componente da solução, existem outros e precisamos de inovações para que as escolas consigam olhar melhor para sua captação e retenção de alunos. A escola também precisa de apoio financeiro para crescer, investir, expandir suas unidades e acreditamos que nós podemos ser responsáveis por isso se nossos parceiros assim o quiserem. 

Tenho muito orgulho do time que a gente está montando, porque acredito que é um time que tem capacidade de execução, ambição, sonho grande, mas que é muito movido e orientado pelo propósito. Gente que tem vontade de fazer algo grande e relevante, com essa cabeça de ganha-ganha, de que não pode ser bom só para nós, tem que ser bom pra todo mundo que está com a gente. São pessoas que abriram mão de carreiras e vidas muito frutíferas e bem sucedidas para estarem aqui.

Acreditar e transformar são essências da lia. Convidamos você, leitora e leitor, a conhecer um pouco mais dessa iniciativa e como ela pode trazer bons frutos para as instituições de ensino e as famílias. Vamos construir juntos essa revolução.